Quando dispositivos “ainda funcionando” viram um risco para a TI
Todo ambiente de TI convive com eles. Dispositivos que não estão atualizados, não são mais ideais, mas continuam operando. Eles imprimem, leem códigos, conectam tablets, coletam dados e sustentam processos críticos. A justificativa é sempre a mesma: “ainda funciona”.
O problema é que, em TI, funcionar não é sinônimo de estar seguro, compatível ou sustentável. Muitas vezes, esses dispositivos representam um risco silencioso que só aparece quando a operação já foi impactada.
O conceito perigoso do “deixa como está”
Manter dispositivos legados no ambiente costuma ser uma decisão pragmática. Trocar parece caro, dá trabalho e exige planejamento. Enquanto isso, o dispositivo continua operando e não gera um incidente grave que force a mudança.
Mas o “deixa como está” cobra seu preço de forma diferente. Ele se manifesta em falhas intermitentes, comportamentos imprevisíveis e dependência excessiva do suporte. O risco não está em uma quebra total, mas na soma de pequenas instabilidades que consomem tempo e fragilizam o ambiente.
O que caracteriza um dispositivo legado hoje
Um dispositivo legado não é apenas aquele antigo em idade. Ele é caracterizado, principalmente, por não acompanhar a evolução do ambiente de TI.
Isso inclui equipamentos que:
- dependem de drivers desatualizados
- exigem exceções de segurança
- não recebem firmware compatível
- não se integram bem a políticas atuais
- não possuem suporte adequado
Impressoras, impressoras térmicas, coletores de dados, leitores e tablets industriais entram facilmente nessa categoria quando ficam anos sem revisão estratégica.
Falhas intermitentes são o maior sinal de alerta
Diferente de uma falha crítica, que derruba o serviço e exige ação imediata, dispositivos legados falham aos poucos. Um dia a impressão não sai. No outro, a leitura do código falha. Em outro momento, o coletor perde conexão ou o tablet precisa ser reiniciado.
Essas falhas não geram pânico, mas criam ruído constante. Para o usuário, é incômodo. Para o TI, é desgaste contínuo. E para a operação, é perda de produtividade que raramente é mensurada.
Quando o risco não está no sistema, mas no entorno
É comum que problemas causados por dispositivos legados sejam atribuídos ao sistema, ao ERP ou ao WMS. Mas, em muitos casos, o sistema está funcionando corretamente. O que falha é o elo entre o digital e o físico.
Uma etiqueta que não lê, uma impressão inconsistente, um dado coletado de forma incompleta ou um dispositivo que responde de maneira imprevisível não são falhas isoladas. São sintomas de um ambiente onde o ciclo de vida dos dispositivos não foi tratado como parte da estratégia de TI.
O custo oculto de manter o que “ainda funciona”
Manter dispositivos legados raramente gera um custo direto evidente. O impacto aparece de forma diluída: mais chamados, mais tempo do suporte, mais exceções, mais improviso. Aos poucos, o ambiente se torna difícil de documentar, difícil de padronizar e difícil de escalar.
O TI passa a depender de conhecimento específico de pessoas, soluções temporárias e ajustes manuais. Isso reduz a previsibilidade e aumenta o risco operacional, mesmo sem um grande incidente visível.
Gestão de ciclo de vida é gestão de risco
Ambientes mais maduros entendem que dispositivos operacionais fazem parte da infraestrutura e precisam de gestão de ciclo de vida. Isso significa avaliar periodicamente compatibilidade, suporte, desempenho e impacto no ambiente.
Substituir, padronizar ou reorganizar dispositivos não é gasto desnecessário. É redução de risco. Quando essa gestão existe, o TI deixa de reagir a problemas recorrentes e passa a atuar de forma preventiva.
Dispositivos “ainda funcionando” não são necessariamente dispositivos saudáveis para o ambiente de TI. Eles podem estar operando fora do padrão, acumulando exceções e criando um risco silencioso que só se revela com o tempo.
Em TI, maturidade não é manter tudo funcionando a qualquer custo. É garantir que o ambiente seja previsível, sustentável e preparado para evoluir.
Funcionando não é suficiente. Estável, compatível e gerenciável é.
Quer identificar quais dispositivos do seu ambiente representam maior risco silencioso para a TI? Uma avaliação técnica ajuda a mapear legado, exceções e pontos de fragilidade antes que virem incidentes críticos.




